O Hub de Fertilizantes do Centro Tecnológico SATC amplia pesquisas voltadas ao desenvolvimento de fertilizantes, economia circular e transição energética justa em Santa Catarina. O CEFENP, único Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas do estado, fortalece parcerias entre empresas, universidades e instituições públicas. As pesquisas avançam da escala laboratorial para projetos-piloto, incluindo o reaproveitamento de resíduos e a captura de CO₂. A iniciativa também busca impulsionar o agronegócio, reduzir a dependência de fertilizantes importados e criar novas oportunidades para o setor carbonífero.

  • Ampliação das pesquisas do Hub de Fertilizantes e oficialização do CEFENP
  • Desenvolvimento de fertilizantes sustentáveis e valorização de resíduos por meio da economia circular
  • Contribuição para a transição energética justa, com pesquisas em captura de CO₂ e novas tecnologias
  • Integração entre empresas, universidades e poder público para fomentar inovação e desenvolvimento
  • Fortalecimento do agronegócio e criação de novas oportunidades econômicas para o setor carbonífero catarinense.

O avanço das pesquisas desenvolvidas pelo Hub de Transição Energética Aplicada à Produção de Fertilizantes, sediado no Centro Tecnológico SATC, amplia as oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias em Santa Catarina. A iniciativa fortalece a pesquisa aplicada, aproxima empresas, universidades, instituições públicas e contribui para a construção de soluções voltadas ao agronegócio, à economia circular e à transição energética justa.

O único Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP) de Santa Catarina tem ampliado sua atuação para além das pesquisas com zeólitas produzidas a partir das cinzas de carvão. O trabalho desenvolvido atualmente reúne novos projetos com empresas e instituições de pesquisa para avaliar materiais, desenvolver fertilizantes, validar tecnologias em ambientes controlados e em escala piloto.

A estrutura criada a partir do Hub de Transição Energética permitiu ampliar significativamente o campo de atuação das pesquisas. “O estudo com zeólita foi a nossa porta de entrada e possibilitou levar o desenvolvimento da escala de bancada para a escala piloto, com testes em ambiente real. Hoje, porém, ampliamos bastante essa atuação. Estamos recebendo empresas para testar novos fertilizantes e avaliando materiais para verificar seu potencial de uso na produção desses insumos. Essa rede de colaboração está fortalecendo toda a estrutura do Hub e abrindo novas oportunidades de pesquisa”, explica a pesquisadora do Centro Tecnológico SATC, Beatriz Bonetti.

Além da ampliação dos estudos, o Hub reforça uma estratégia voltada à valorização de materiais que antes eram considerados passivos ambientais. A proposta busca transformar resíduos em novos insumos, promovendo inovação tecnológica e agregando valor às cadeias produtivas. “A produção de fertilizantes em Santa Catarina é uma discussão que existe desde a década de 1960. Hoje retomamos esse tema com novas tecnologias e uma visão voltada à transição energética. Estamos trabalhando em projetos que envolvem a produção de novos fertilizantes a partir do carvão e também no desenvolvimento de tecnologias para captura de CO”, pontua o diretor executivo da SATC, Fernando Luiz Zancan.

No ato realizado na manhã desta terça-feira (30), houve a oficialização do CEFENP e a inauguração do espaço destinado às pesquisas.

Novas perspectivas para o setor carbonífero

A transição energética propõe um olhar que vai além da geração de energia elétrica, buscando novos produtos por meio da economia circular, da inovação e da pesquisa. Reunir governo, instituições de pesquisa e empresas em um ambiente de desenvolvimento tecnológico é um passo importante para acelerar esse processo.

O gerente da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, Mario Álvaro Aloisio Verissimo, ressalta que o desenvolvimento de fertilizantes sustentáveis está alinhado às políticas públicas voltadas ao fortalecimento do agronegócio catarinense. “A agricultura depende dos fertilizantes para alcançar todo o potencial produtivo das culturas. Desenvolver fertilizantes produzidos regionalmente, com maior sustentabilidade, também contribui para reduzir a pegada de carbono e fortalecer o setor agrícola”, ressalta.

A iniciativa também integra as ações voltadas ao Plano de Transição Energética Justa Nacional. “A transição vai além da mudança da matriz energética. Ela envolve inovação, reaproveitamento de materiais, descarbonização de processos, captura de CO₂ e o desenvolvimento de novas vocações econômicas. O que está sendo desenvolvido na SATC mostra um novo olhar para o território minerador, agregando valor ao carvão por meio da pesquisa, da tecnologia e da economia circular”, enfatiza o secretário de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta,

União da iniciativa pública e privada

O secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Leodegar Tiscoski, destaca que iniciativas como essa ampliam as oportunidades de atração de investimentos para Santa Catarina.

“Nosso papel é apoiar os setores com vocação industrial, disponibilizar informações e buscar novos investimentos para o estado. Esperamos que esse projeto contribua para criar uma nova realidade para o carvão catarinense e para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas”, destaca Tiscoski.

A união entre pesquisa, setor produtivo e poder público visa transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. “Quando reunimos conhecimento acadêmico, iniciativa privada, empreendedores e poder público, criamos as condições para transformar pesquisa em investimento. O Brasil responde por cerca de 11% da produção mundial de alimentos, mas ainda importa aproximadamente 90% dos fertilizantes que utiliza. Desenvolver tecnologias para a produção de fertilizantes no país significa aproveitar melhor nossos recursos, transformar passivos ambientais em oportunidades e fortalecer nossa competitividade”, reforça o prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola.