Mais do que melodias e letras, a música funciona como um baú de memórias emocionais, que na maioria das vezes marca épocas importantes na vida de uma pessoa. Basta o primeiro acorde de uma música antiga tocar para que a lembrança de uma viagem em família ou o frio na barriga da primeira paixão venham à tona sem pedir licença.

Cada música tem o poder de se tornar uma marca pessoal na vida de muitas pessoas. Seja por serem trilha sonora de algum momento importante ou apenas por serem apresentadas por alguém especial. A estudante Luana da Silva carrega consigo a influência musical herdada de seu pai Luciano Ismael.

Luana conta que passou a sua adolescência escutando bandas como Red Hot Chilli Peppers, Pink Floyd, Whitney Houston e Cindy Lauper e que elas foram importantes pois se tornaram a sua trilha sonora. “Tanto que Dark Necessities do Red Hot Chilli Peppers foi minha música de entrada na minha formatura do terceiro ano. Eu acho que faz parte da minha essência”, afirma.

A jovem relata que sempre volta às músicas antigas pela memória afetiva que carrega de seu pai, que já não mora mais com ela. As músicas lhe trazem um conforto e remetem a sua casa e momentos que a levam para o passado.

O luto que muitas vezes não passa: por que ainda continuamos ouvindo?

Foto: Mariana Duarte / Redação Unisatc

Diferente de ciclos que se findam, a relação com músicas e bandas geralmente é mantida no tempo. A música não envelhece e muitas pessoas se apegam a ela pois, para muitos, ela representa uma fase da sua vida ou um momento social.

Um estudo publicado pela revista Taylor & Francis relata que as músicas ouvidas entre os 12 e 22 anos deixam uma marca emocional maior do que qualquer música que for ouvida mais tarde. Segundo o estudo, nessa idade o cérebro ainda está consolidando “quem somos” e a música serve como uma “trilha sonora” para a construção da personalidade e independência.

A psicóloga Keila Steffen relata que na infância e adolescência o nosso cérebro está mais moldável e sensível, por isso, as músicas ouvidas, são guardadas junto com experiências, vínculos, cheiros, lugares, sensações e até a noção de quem éramos naquela época. Por isso, quando ouvimos uma música antiga, não lembramos só da música, o cérebro ativa um estado emocional inteiro associado àquela fase da vida.

Deste modo, a música também ativa áreas cerebrais ligadas à emoção e recompensa, ou seja, ouvir músicas familiares gera previsibilidade, sensação de segurança e conforto. Em momentos de estresse ou instabilidade, é comum buscarmos músicas antigas porque elas trazem essa sensação de familiaridade e regulação emocional.

Por conta disso, alguns fãs relembram a sorte que tiveram de ver o ídolo, outros nutrem a esperança de ver ídolos remanescentes no palco com a chance de dividir um show histórico ao lado de quem o apresentou. A busca vai além do entretenimento com a tentativa de materializar uma conexão que resistiu ao tempo.

Luana segue com esperança de ver a banda Red Hot Chilli Pepers de perto e viver a experiência com o pai. Para ela, gostar de músicas mais antigas não é apenas questão de gosto como também cultura, emoção e herança genética.

Matéria produzida por Mariana Duarte