Para a escritora Natália Peraro, escrever nunca foi apenas uma atividade. Antes de se tornar autora de romances de época e participar da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a escritora de Urussanga já criava histórias enquanto criança.

Durante a faculdade de Direito, Natália escrevia histórias na internet e, depois de formada, passou a trabalhar na área jurídica e em outras funções dentro de uma empresa. A literatura permaneceu como uma segunda atividade até a pandemia, quando uma história que surgiu durante um sonho mudou o rumo da relação com a escrita.

O primeiro rascunho foi escrito sem a intenção de publicação. O incentivo das amigas, que acreditaram na história, fez com que a escritora começasse a procurar editoras brasileiras que publicassem autoras nacionais e romances de época. “Queria saber o final, então escrevi o mais rápido possível. E foi assim que nasceu o primeiro livro”, relata.

Sua obra de estreia, ‘Amor para a vida toda’, foi publicada em 2023 e, no ano seguinte, Natália participou pela primeira vez da Bienal como autora. “Gosto muito desse contato com o leitor, de encontrar com as pessoas, de conhecer autores e outros leitores. É um evento muito especial”, conta a escritora.

Nesta edição de 2026, a escritora participou pela segunda vez do evento. Nas duas edições em que esteve na Bienal apresentando seus livros, uma de suas obras chegou a esgotar. “Para eu, que venho de uma cidade muito pequena, é irreal pensar que a gente consegue fazer isso, que consegue se conectar com esses leitores, tão longe de casa”, destaca.

Em Urussanga, a recepção ao primeiro livro mostrou a proximidade de Natália com os leitores da cidade. A publicação despertou o interesse dos moradores, que formaram fila para adquirir a obra e passaram a compartilhar com a escritora e sua família as experiências de leitura. 

A escolha do gênero

O romance de época não fazia parte das histórias que a autora escrevia quando começou a publicar na internet. A aproximação aconteceu depois que uma amiga apresentou o estilo e despertou o interesse pela temática histórica. “Desde pequena, História era uma das minhas matérias favoritas. Hoje eu olho e penso que foi muito natural ir para esse caminho, e não para um romance contemporâneo, porque foi como juntar duas coisas que eu gosto muito”, explica.

A escrita dos romances também exige pesquisa para a construção das histórias. Para escrever seu lançamento mais recente, ‘No meu lugar’, Natália precisou pesquisar as linhas ferroviárias existentes na época em que a narrativa se passa, incluindo datas de inauguração e duração das viagens. “Sou uma pessoa naturalmente curiosa. Então eu acho esse processo de pesquisa muito divertido”, comenta.

Matéria escrita por Fernanda Teixeira