Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 69 boletins de ocorrência por desaparecimento na região da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera). Números que carregam famílias tomadas de incertezas, mas que passam a ter novas perspectivas por meio de canais e tecnologias que integram órgãos oficiais de segurança e ferramentas de rastreio.
Um dos maiores obstáculos no início das buscas ainda é a desinformação. Existe um mito popular de que se é necessário esperar um dia inteiro para reportar o sumiço de alguém, o que as autoridades desmentem. “Não existe essa história de que o registro só pode ser feito depois de 24 horas. Isso é uma lenda urbana, assim como aquela de que o flagrante dura 24 ou 48 horas”, esclarece o Delegado da Polícia Civil, Márcio Neves.
Diferente do que se imagina, qualquer pessoa pode registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.) e a qualquer momento. Entretanto, o delegado orienta que os familiares façam uma checagem com pessoas próximas e locais frequentados antes de acionar a polícia. “As forças de segurança não iniciam uma busca imediata sem que haja pistas ou informações específicas. O trabalho inicial é focado no monitoramento e rastreio em tempo real”, explica Neves.
O protocolo padrão de busca consiste em monitorar os possíveis caminhos do desaparecido. “O que ocorre são monitoramentos de informações com IMLs, hospitais, Postos de Saúde e movimentação bancária, além de verificar movimentações telefônicas e buscar informações mais específicas”, confirma o delegado.
Inteligência Artificial como auxílio para encontrar pessoas desaparecidas
Em 2024 a Piracanjuba e a Associação Mães da Sé se uniram em uma campanha utilizando inteligência artificial para atualizar fotos de pessoas desaparecidas. A iniciativa, denominada como “Desaparecidos”, consiste em usar ferramentas de IA para projetar como estas pessoas estariam atualmente, mesmo com tantos anos de desaparecimento.
As imagens geradas são impressas nas embalagens de leite da marca que circulam por mercados do Brasil inteiro, o que aumenta a visibilidade dos casos. A atitude foi criada pela agência Ampfy e conta com a participação do artista especialista em projeção de idade, digital Hidreley Dião.
Para Abel Mantovani, delegado da Delegacia de Pessoas Desaparecidas (DPP), apesar de não ter conhecimento de pessoas encontradas a partir dessa campanha, considera a iniciativa válida. “Nos casos de desaparecimentos de longa duração, a IA pode contribuir para renovar a divulgação e chamar novamente a atenção da sociedade para casos antigos” , afirma o delegado.
Mesmo assim, é importante salientar que mesmo que a IA seja uma ferramenta útil, é preciso usar com ressalvas. “Já recebemos relatos de profissionais da área de identificação de que imagens modificadas ou produzidas por IA podem não apresentar a mesma qualidade para fins de comparação biométrica facial” aponta Mantovani.
Contatos oficiais
Em caso de desaparecimento é importante acionar os órgãos especializados e serviços de apoio na região, utilize os contatos abaixo:
SOS Desaparecidos (Polícia Militar de SC): Telefones (48) 3665-4715, (48) 99156-8264 ou (48) 98843-3152.
Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI de Criciúma): Telefone (48) 3403-1717 ou e-mail dpcaicriciuma@pc.sc.gov.br.
Polícia Rodoviária Federal (PRF): Ligue 191 ou cadastre-se no sistema SINAL – Desaparecidos para rodovias federais.
SINALID / MPSC: Você também pode cadastrar os dados no Ministério Público de Santa Catarina.
Reportagem produzida por Mariana Duarte
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