Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro em 2001, mudanças na segurança e na política dos Estados Unidos ainda fazem parte do rastro deixado pelo ataque. Entre as pessoas que acompanharam essas transformações de perto está Soeli Fortuna, professora e moradora de Criciúma, que vivia em Massachusetts quando os aviões atingiram as Torres Gêmeas.
Soeli havia chegado ao país cerca de cinco meses antes dos ataques. Na manhã de 11 de setembro, estava em seu primeiro dia de trabalho em uma cafeteria quando as imagens dos aviões atingindo as Torres Gêmeas começaram a aparecer na televisão. “A partir das 8 horas, as pessoas começaram a chegar muito agitadas e nervosas. Elas chegavam e comentavam, faziam perguntas e eu não conseguia entender o que elas estavam falando”, relata.
A professora tomou consciência da situação logo após acabar o expediente, a caminho de casa. “Na hora em que entrei no carro, que meu marido veio me buscar, ele disse: ‘Você viu o que tá acontecendo? Quantos helicópteros estão sobrevoando esta cidade?’. Eu falei que não, as pessoas estão falando muitas coisas, mas até agora eu não consigo parar pra ver de fato o que tá acontecendo. Ele falou: ‘Teve um ataque aéreo em Nova York’. Ele foi me contando, e foi ali que eu fui sentindo”, descreve.
Após os atentados, a família passou a conviver com uma presença maior de policiais nas ruas, fiscalizações e abordagens para identificação. A proximidade com o Aeroporto Internacional de Logan, em Boston, também fez com que a segurança se tornasse ainda mais presente no cotidiano.
As mudanças observadas por Soeli fazem parte de uma transformação mais ampla na política de segurança dos Estados Unidos. Para o historiador Tiago Coelho, um dos principais legados do 11 de Setembro foi a criação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o Department of Homeland Security, além do estabelecimento de novos protocolos de segurança nos aeroportos.
“Foram mudanças significativas feitas após 2001, justamente porque era preciso evitar transporte de materiais inflamáveis, transporte de objetos cortantes que podem ser usados como armas”, ressalta Coelho.
O historiador destaca que o período posterior aos ataques foi marcado pelo aumento da vigilância interna. O monitoramento de cidadãos e as práticas de espionagem ganharam espaço nas políticas de segurança, enquanto comunidades de imigrantes, especialmente pessoas associadas ao Oriente Médio e à Ásia Ocidental, passaram a enfrentar maior desconfiança.
Para Coelho, os efeitos dos atentados também permaneceram na forma como os Estados Unidos lidam com segurança e com a população estrangeira.”Depois do 11 de setembro, os Estados Unidos adotaram uma política de vigilância muito forte aos cidadãos estadunidenses e às pessoas que vão, visitam ou moram nos Estados Unidos, fiscalizando informações e comunicações”, afirma.
Vinte e cinco anos depois, parte das medidas adotadas após os atentados permanece na rotina dos Estados Unidos e de outros países. Para Coelho, porém, a ideia de que o mundo se tornou mais seguro precisa ser analisada a partir de diferentes perspectivas. Enquanto as medidas podem ter ampliado a sensação de segurança entre os norte-americanos, os conflitos e intervenções realizados no período também atingiram populações de outros países.
Matéria escrita por Fernanda Teixeira.
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