Informar, registrar acontecimentos e conectar pessoas por meio das histórias. Há mais de dois séculos, o jornalismo cumpre essa missão no Brasil. A relevância desse trabalho é lembrada no Dia Nacional da Imprensa, celebrado em 1º de junho, data que faz referência à circulação do Correio Braziliense, considerado o primeiro jornal impresso do país.

O mundo evolui, constrói coisas novas, e o papel do jornalista é levá-las para frente, sendo ponte entre o fato e a população. O professor e jornalista Fábio Cadorin, frisa a importância e ordem de surgimento no Brasil de cada tipo de mídia.

E em Criciúma a história não é diferente. Do esporte aos portais de notícia, a cidade, que tem mais de 140 anos e 200 mil habitantes, tem muita história para contar.

Microfone, emoção e destino: a imprensa que narra e vive a história do Criciúma Esporte Clube

O ano era 2002. Para o Criciúma Esporte Clube, uma temporada que resultaria no título da Série B do Campeonato Brasileiro. Para o jornalismo esportivo local, a estreia de uma das vozes mais marcantes da região. Janniter Decordes, iniciou sua carreira nas frequências da rádio em 1993 como operador de som e logo depois como repórter de rua e esporte amador na Rádio Hulha Negra.

Sua estreia na narração de jogos do Tigre aconteceu dividindo o microfone com o colega Cézar Júnior, onde a transmissão adotava um formato dinâmico: sete minutos para cada narrador. “Foi muito legal, mas ao mesmo tempo eu estava muito nervoso, pois eu tinha traçado para aquele ano narrar, ao menos, jogos do estadual. Confesso que não passava na minha cabeça narrar o jogo do Criciúma naquele ano, pois estava iniciando na narração”, conta.

Foi a voz de Janniter que embalou os minutos finais da semifinal contra o Santa Cruz. Com o estádio Heriberto Hülse lotado, o jornalista narrou o apito final que garantiu o retorno do Tigre à elite do Campeonato Brasileiro. A história se repetiu na grande final. Coube a ele soltar a voz nos instantes finais do jogo de volta contra o Fortaleza. Com o placar de 4 a 1, narrou a faixa de campeão da Série B de 2002, eternizando o momento na memória da torcida e na carreira do narrador.

Após os feitos de 2002, o narrador buscou novos horizontes com passagens pela capital catarinense. Hoje, consolidado como um dos principais nomes da narração esportiva de Criciúma, segue narrando momentos emocionantes como o gol de Otero no último minuto de Criciúma x Botafogo/SP em 2026.

Com 26 anos de idade, Manuela Silva se tornou um dos nomes conhecidos pelo Criciúma Esporte Clube. Começou a faculdade de Jornalismo com o objetivo de trabalhar com futebol. Durante a faculdade passou pela assessoria de imprensa, Fundação de Esportes e produção política e econômica, além de apresentar um programa de variedades na rádio. 

A jornalista entrou como produtora de esporte da Rádio Som Maior e logo em seguida surgiu a oportunidade de ser repórter da torcida. “Pouco tempo depois, comecei a cobrir os adversários e em novembro de 2023 recebi o convite para virar setorista de fato do Criciúma na NSC TV”, comenta. 

Manuela relata que é muito importante fazer parte da imprensa criciumense, que para ela é uma das mais fortes fora das capitais. Para a comunicadora, estar em outro estado, em tv aberta, acompanhando um time de futebol, é um sonho daqueles que a ficha demora para cair. Assim como a cobertura de Palmeiras x Criciúma na série A de 2024.

No rádio e na televisão, a história do futebol catarinense não é feita somente pelos gols que balançam as redes. Cruzando a marca de 44 anos de jornalismo diário, Márcio Cardoso iniciou sua carreira no jornalismo em 1980 na Rádio Eldorado fazendo boletins informativos sobre o Criciúma Esporte Clube. 

Como em muitas histórias do rádio, o início de Cardoso foi marcado por uma oportunidade inesperada. Após passar por um teste indicado pelo radialista esportivo Clésio Búrigo, recebeu a oportunidade de ser repórter com a ausência de Antônio Sérgio Fernandes, que teve que se ausentar para apitar um campeonato brasileiro de futebol de salão em Jundiaí, São Paulo.

Em 1984, o talento do rádio migrou para as telas. Aprovado em um teste na TV Eldorado, que integrava a Rede de Comunicação Eldorado (RCE), ele esteve na bancada de programas que marcaram época na cidade, como Conversa de Arquibancada com João Nassif e Bola em jogo. 

Como setorista focado no dia a dia do Criciúma Esporte Clube, o radialista acompanhou de perto a transformação do Tigre. “Estive presente em quase todas as finais que o Criciúma decidiu o título estadual, exceção de 1982 e 2005”, afirma. Também cobriu momentos importantes como a final da Copa do Brasil em 1991 e outros momentos importantes em outros times. 

Para ele, fazer parte parte da imprensa esportiva em Criciúma é ter muita responsabilidade na informação, falar sempre a verdade e ser honesto. “É um orgulho fazer parte da imprensa de Criciúma, onde trabalho com excelentes profissionais e bons colegas”, relata.

Após anos de dedicação ao clube, o radialista foi surpreendido com uma homenagem: a sala de imprensa do Centro de Treinamento Antenor Angeloni passou a carregar o seu nome. “Eu não imaginava. Um simples repórter, de uma família humilde, ter uma sala de imprensa no meu nome”, conta.

Jornalismo Impresso

Considerada a forma mais antiga do jornalismo, o jornal impresso possui papel importante na cidade de Criciúma. Ao longo dos anos, o meio registrou acontecimentos marcantes da trajetória da cidade e se consolidou como uma das principais formas de compartilhamento de notícias para a população.

O jornalista Thiago Oliveira, que trabalha há mais de 15 anos na profissão, conta que sempre se imaginou na área. Consumidor assíduo de jornais desde a infância, o profissional iniciou a trajetória no jornalismo ainda durante a graduação e passou por diferentes veículos de comunicação até chegar a Criciúma, em 2013. 

Ao longo da carreira, Oliveira esteve presente em coberturas marcantes para a população criciumense, como o incêndio na prefeitura municipal, o assalto ao Banco do Brasil e o acesso do Criciúma Esporte Clube à Série A do Campeonato Brasileiro. Para ele, momentos como esses mostram a importância do jornalismo na prestação de serviço e na aproximação com a comunidade.

Em meio às transformações da comunicação e ao crescimento das redes sociais, Thiago acredita que o jornalismo impresso continua exercendo papel importante na construção da informação.

Rádio

Não tem como falar de Criciúma sem falar do rádio. Presente diariamente na rotina da população, desde o trajeto para o trabalho até a volta para casa, o meio se consolidou como uma das formas mais rápidas e próximas de comunicação com os criciumenses.

Com mais de 50 anos de carreira, Adelor Lessa é um dos nomes mais reconhecidos da região. À frente de um programa matinal de notícias há mais de três décadas, o jornalista acompanhou de perto acontecimentos marcantes da trajetória de Criciúma e o crescimento da comunicação no Sul catarinense.

Para o comunicador, o rádio continua sendo um dos meios de comunicação mais próximos da população justamente pela agilidade e pela interação com os ouvintes. Segundo o jornalista, mesmo com o crescimento das redes sociais, o rádio soube se adaptar às mudanças ao longo do tempo. “O rádio teve a capacidade de se apropriar disso, se associar a isso, e ficou muito mais eficiente, mais ágil e mais dinâmico”, afirma. 

Ao longo dos anos, Adelor Lessa acompanhou acontecimentos marcantes da história de Criciúma e relembrou momentos importantes vividos na profissão. 

Fotojornalismo

Enquanto a escrita descreve de forma que o leitor tenha as informações necessárias para a compreensão da notícia, a imagem mostra de forma clara o que está havendo. O papel do fotojornalista é incluir elementos que traduzam o fato por meio da foto, com cuidado e qualidade.

A mais de 30 anos, Nilton Alves transforma notícias em imagens. Em seus anos de carreira, pontuou que ao fotografar, uma das principais características necessárias é a cautela. “Às vezes, uma família fica sabendo que a pessoa faleceu ou se machucou através de uma imagem, não só de jornal, de internet também”, comenta Alves.

No início esse cuidado tinha que ser redobrado: a foto só poderia ser analisada com cuidado após relevar os rolos de filme.

A visão do repórter fotográfico pode ser mais importante que a qualidade da câmera que ele segura. “O importante é a visão que o profissional tem atrás da foto. Pode não ter qualidade, mas ela vai ter a sua importância e descrever aquilo que realmente está ali no momento”, destaca o fotojornalista.

Estar atento e ser rápido pode render momentos marcantes para a carreira. Quando o inesperado surge, as pessoas podem acabar acreditando naquilo que elas mesmas veem.

Telejornalismo

Unindo imagem e informação, o telejornalismo se tornou uma das formas mais populares de comunicação no país. Em Criciúma, a televisão acompanhou de perto acontecimentos históricos da região e ajudou a aproximar a população das principais notícias do Sul catarinense.

A jornalista Lize Búrigo iniciou a carreira na rádio, trabalhando com entretenimento e música, mas encontrou no telejornalismo a profissão que seguiria pelos próximos anos. Durante a trajetória na TV, Lize participou de coberturas marcantes para a região, como o Furacão Catarina, em 2004. 

Além das grandes coberturas, a jornalista afirma que um dos pontos mais marcantes da profissão era perceber o impacto das reportagens na vida da comunidade. Segundo ela, muitas pautas ajudavam diretamente a população na resolução de problemas ligados à saúde, infraestrutura e questões sociais. “Quando a gente conseguia resolver algo para a comunidade, eu entendia o meu propósito como jornalista”, afirma.

Para Lize, a credibilidade continua sendo a essência do jornalismo, mesmo diante das mudanças tecnológicas e do crescimento das redes sociais. 

WebJornalismo

E o último a chegar foi o jornalismo digital. Com o advento da internet, surgiu a necessidade das notícias acompanharem essa evolução tecnológica.

Portais de notícia são meios práticos de acesso a informações nos dias de hoje. Um dos primeiros a chegarem a Criciúma, foi o Portal Engeplus, que trabalha com notícias diárias sobre a região há mais de 20 anos. Rafaela Custódio trabalha há cerca de dez anos no jornalismo, sendo oito deles na Engeplus. Em seus anos de experiência, viu de perto o impacto do seu trabalho.

Mas nem sempre foi assim. No início, a dificuldade estava no meio pelo qual as pessoas poderiam ler as matérias. “Quando começou, não era todo mundo que tinha um computador para acessar o portal. Eu acho que essa dinâmica de trazer matérias curtas, rápidas, e bem apuradas, com credibilidade, faz parte do webjornalismo”, contou a coordenadora da redação do Portal Engeplus.

Mas o jornalismo não é feito apenas dos acessos, mas também das histórias, fontes e personagens que ficam em evidência nas matérias.

Matéria escrita por Bianca Bento, Fernanda Teixeira e Mariana Duarte.