A transição de carreira é algo que vem se tornando cada vez mais comum no dia a dia do brasileiro. Quase sempre impulsionada pela busca por propósito, flexibilidade ou melhor remuneração, essa transição exige acima de tudo, planejamento e disposição para um novo aprendizado.

Na maioria das vezes, a chegada da maturidade traz mais segurança e muitas das vezes desperta o desejo de mudança, um cenário que reflete perfeitamente a trajetória de Guilherme Farias.

Com facilidade para a área de exatas desde o Ensino Médio, Guilherme prestou vestibular para Engenharia Civil. Durante 12 anos, consolidou uma carreira estável e bem sucedida. Atuou em obras de grande porte como armazenagem de grãos, avicultura e suinocultura, mudando-se de estado duas vezes.

Guilherme operando uma máquina sublimática. Foto: Brian Cobos

Durante os anos, fez viagens internacionais e alcançou patamares que muitos consideram o sucesso profissional. No entanto, a segurança financeira começou a contrastar com um vazio profissional. Ao pensar no futuro, percebeu que o cenário estava “estável demais”.“Estava simplesmente trabalhando por dinheiro. Então, foi quando eu decidi trocar de profissão”, afirma.

Após anos estudando vendas, comunicação e tráfego pago, a vaga que Farias esperava não estava disponível e resolveu pedir demissão para abrir sua própria empresa. “Comprei todos os equipamentos para começar uma empresa de sublimação, migrei para área de brindes personalizados e hoje me sinto realizado tendo a FFdecoraru” conta.

Diferente dos caminhos escolhidos pelo empresário, a gestora de Recursos Humanos, Jeane Nicolay, acredita que o movimento de mudança de carreira ocorre algumas vezes porque as pessoas não estão mais aceitando certas situações que antes eram consideradas normais. “As pessoas buscam trabalho, porém se percebem que são apenas um número que não soma, buscam outras oportunidades, onde possam se sentir parte do processo” relatou.

Conforme a profissional, esse cenário ocorre pois não tem mais tanta necessidade das pessoas estarem presas em ambientes corporativos onde não se tem respeito e tão pouco proporcionam um ambiente de trabalho colaborativo. “Percebo pelos meus colegas, que estão há muitos anos no mesmo lugar, mas isso não acontece com os mais novos, que estão sempre buscando novas oportunidades” afirma.

A história de Daiane Pereira não foi muito diferente. Com afinidade para a área de humanas desde cedo, encontrou na psicologia um caminho para trilhar. Pensou também em farmácia, mas por conta da sua personalidade e do campo abrangente de atuação, decidiu tornar-se psicóloga.

Foto: Mariana Duarte/Unisatc

Para a empresária, o curso de psicologia sempre fez sentido. Após os anos de formação a jovem trabalhou na área de recursos humanos. Até que aquilo tudo parou de ser o que almejava.

Apaixonada por flores desde sempre, Daiane gostava de montar buquês para seus sobrinhos presentearem suas namoradas, e após algumas conversas sobre mudar de profissão com seu marido, começou a estudar se cabia mais uma floricultura em Criciúma. “Nós pensamos em roupas ou outros nichos. Até que um dia eu estava mexendo com flores e pensei: porque não uma floricultura que atende somente online?”, relata. 

Assim nasceu 7 flores. A ideia inicial foi trabalhar com uma floricultura que atendesse somente de forma online, já que em Criciúma só existia floricultura que atendiam de forma física. “Nós fizemos um estudo e entendemos que cabia sim uma floricultura nesta modalidade”, confirma. 

Foto: Mariana Duarte/Unisatc

Daiane conta que no início do novo empreendimento sentiu falta de conviver com mais pessoas no âmbito corporativo, mas depois se acostumou a lidar com o cliente de forma online. “Eu sempre encontro com o cliente e com isso eu estou presente em momentos bem especiais, muita gente já se emocionou comigo e eu com elas” conta.

Hoje a empreendedora se sente realizada em sua nova profissão, e mesmo assim segue atuando na psicologia, área que ainda tem seu coração. “Eu ainda atuo como psicóloga organizacional, realizando recrutamentos, seleções ou tirar dúvidas de colegas”, afirma.

Matéria produzida por Mariana Duarte