Com oito anos, Paloma já sabia exatamente onde encontrar companhia: na palma da mão. O celular, presente desde muito cedo, não era novidade. Era rotina! Enquanto a casa seguia seu ritmo entre tarefas e compromissos, era ali, na tela, que ela se distraía. “Era o que entretia. Eu colocava para assistir vídeos enquanto fazia as coisas de casa”, lembra a mãe, Milena. O hábito cresceu junto com a filha e, aos poucos, deixou de ser apenas um recurso pontual para se tornar parte central do dia a dia.

O que começou com vídeos infantis rapidamente evoluiu para jogos digitais e conteúdos cada vez mais dinâmicos. Aos seis anos, Paloma ganhou o primeiro celular próprio, e o tempo de uso aumentou de forma natural, acompanhando a rotina familiar em diferentes momentos, dentro e fora de casa. Até que o comportamento começou a mudar. “Ela começou a ficar agressiva, sem paciência. Quando estava jogando, não queria parar para fazer mais nada”, conta Milena. As pausas passaram a gerar conflitos frequentes, e interromper o uso da tela se transformou em um desafio dentro de casa.

A dificuldade se estendeu para tarefas simples, como ajudar nas atividades domésticas, realizar trabalhos escolares ou até manter uma conversa. Diante disso, a mãe decidiu reduzir o acesso ao celular, mesmo sabendo que não seria uma mudança fácil. Com o tempo, os efeitos começaram a aparecer. “Depois que eu cortei, melhorou bastante. Ela ficou mais paciente, começou a prestar mais atenção no que eu falo”, relata.

Hoje, aos nove anos, Paloma utiliza o celular apenas nos finais de semana, o que ainda gera expectativa. Durante a semana, o contato com telas se limita à televisão, com tempo controlado e sem acesso a jogos ou redes sociais. Fora da tela, outras atividades voltaram a fazer parte da rotina. Brincadeiras com bonecas, desenhos e pinturas reapareceram, assim como a participação em pequenas tarefas do dia a dia. 


“Antes, se deixasse, ela ficava só no celular. Agora ela já voltou a fazer outras coisas”, diz Milena, que reconhece o aprendizado no processo. “O ideal teria sido estabelecer limites desde o início. Na correria, a gente acaba usando a tela como um escape, mas depois vê que isso pode trazer consequências.”

Uso excessivo de telas altera comportamento e rotina infantil

As mudanças percebidas por Milena não são isoladas. Profissionais que atuam com desenvolvimento infantil relatam um aumento significativo de casos em que o uso excessivo de telas interfere diretamente no comportamento e na organização da rotina das crianças. Segundo a terapeuta ocupacional Marisa Silva, é comum que a queixa inicial venha acompanhada de sinais como irritabilidade, dificuldade de atenção, atraso no desenvolvimento e resistência a limites.

Para a especialista, o problema não se resume ao tempo de exposição. “Não é só ficar muito tempo no celular, mas tudo o que a criança deixa de vivenciar enquanto está na tela”, explica. Esse impacto se manifesta em diferentes áreas. No campo cognitivo, há prejuízos na atenção e na aprendizagem. Na linguagem, a falta de interação direta compromete o desenvolvimento da comunicação. Já no aspecto emocional, surgem comportamentos como impaciência, irritação e dificuldade em lidar com frustrações.

O comportamento também tende a se modificar. Crianças passam a depender da tela como forma de regulação emocional, apresentam mais dificuldade em seguir regras e demonstram baixa tolerância ao tédio. Esse último ponto, segundo especialistas, é essencial para o desenvolvimento da criatividade e da autonomia. Com o uso excessivo, tarefas simples do cotidiano podem se tornar mais difíceis, e a criança passa a depender da tela como estímulo constante.

A lógica dos estímulos rápidos, presente em vídeos curtos e jogos digitais, contribui para esse cenário ao oferecer recompensas imediatas. Com o tempo, atividades que exigem paciência e continuidade passam a gerar menos interesse. “Isso resulta em menor paciência, dificuldade de manter a atenção e mais frustração”, afirma a terapeuta. Nesse processo, experiências fundamentais da infância, como brincar livremente, se movimentar e interagir, acabam sendo substituídas.

Apesar disso, o uso da tecnologia não precisa ser eliminado. O desafio está na construção de uma rotina equilibrada, com limites claros e participação ativa da família. “É totalmente possível usar de forma saudável, desde que haja limites. O problema é quando a tela substitui a presença e as experiências reais”, conclui.

Telas e movimento: o impacto na motricidade e desenvolvimento físico

Paloma, e muitas outras crianças que usam as telas com frequência, tem em comum um problema que aparece ao longo dos anos: o impacto da falta de movimento no corpo. As brincadeiras ao ar livre deram lugar a longos períodos sentados ou deitados, com o olhar fixo em uma tela. O que antes era movimento, passou a ser sedentarismo.

Especialistas que trabalham diretamente com o desenvolvimento infantil apontam que o cenário é cada vez mais comum. Em Criciúma, o educador físico Felipe Minatto, diretor de uma academia para crianças, observa diariamente os efeitos dessa transformação. Segundo ele, o movimento é parte essencial do desenvolvimento. Com o uso excessivo de telas e menos movimentos corporais, os profissionais identificam cada vez mais problemas físicos nas crianças, que inclusive tem registrado perda de movimentos básicos. 

“Habilidades motoras como correr, saltar, pular, rastejar, que são básicas do ser humano já estão se perdendo com o passar do tempo, porque a criança aprende através do brincar”, explica.

Para ele, não se trata apenas de gastar energia, mas de construir habilidades físicas, cognitivas e sociais. No entanto, o excesso de tempo diante das telas tem reduzido essas oportunidades de forma significativa.

Minatto explica que o corpo funciona como um sistema em constante aprendizado. Ou seja, quanto menos a criança se movimenta, menos oportunidades ela tem de desenvolver coordenação, equilíbrio e consciência corporal. Crianças que se movimentam menos tendem a interagir menos, explorar menos e experimentar menos o mundo ao seu redor.

Além da perda de habilidades motoras, o sedentarismo também traz consequências para a saúde física. “Não é um achismo, se trata de ciência. Já é crescente o número de crianças com comorbidades, sobrepeso e também já obesas”, pontua.

O problema está diretamente ligado ao estilo de vida mais restrito. Muitas crianças passam grande parte do dia dentro de casa, em um ambiente considerado seguro pelos pais, mas que limita o movimento.

“É uma criança no conforto do seu lar, com a tela em mãos. Hoje os pais estão precisando se sentir seguros e querem que seus filhos e suas crianças também estejam seguros”, avalia.

Impactos das telas na sala de aula

O reflexo desse comportamento também aparece no ambiente escolar. Professores relatam mudanças na forma como as crianças se concentram, aprendem e se envolvem com as atividades. Segundo a pedagoga Carla Vitória, a dificuldade de atenção tem sido um dos sinais mais recorrentes, inclusive entre alunos da educação infantil.

“É comum um aluno apresentar dificuldade de atenção nas atividades e, ao mesmo tempo, relatar que passou o fim de semana jogando ou usando tablet”, afirma. De acordo com ela, o tempo médio de concentração tem diminuído. Atividades que duram entre 20 e 30 minutos já são suficientes para gerar inquietação em parte dos alunos, que demonstram dificuldade em manter o foco até o final.

Outro aspecto observado é a necessidade constante de estímulos rápidos, característica típica do ambiente digital. Esse comportamento interfere diretamente no engajamento em tarefas que exigem mais tempo, paciência e raciocínio contínuo. Ainda assim, a pedagoga ressalta que a tecnologia não deve ser vista apenas como um problema. “As telas podem ser aliadas quando bem utilizadas. Eu mesma uso tablets em atividades pedagógicas, com jogos educativos, e os alunos se mostram bastante engajados”, explica.

Para ela, o ponto central está na mediação consciente. Tanto a escola quanto a família têm papel fundamental na forma como a tecnologia é inserida na rotina das crianças. Estratégias que combinam teoria e prática, além de experiências fora da sala de aula, são essenciais para manter o interesse e favorecer o aprendizado. “Elas aprendem explorando, vivenciando. É importante proporcionar experiências reais”, conclui.


Restrição ao uso de celulares melhora desempenho e convivência no ensino médio

Se os efeitos do excesso de telas já aparecem nas séries iniciais, no ensino médio algumas escolas têm adotado medidas mais rígidas para conter o problema. Em um colégio de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, a restrição total do uso de celulares durante o período de aula transformou a rotina dos estudantes e, segundo a equipe pedagógica, trouxe resultados concretos.

Desde que chegam à sala, os alunos depositam os aparelhos em caixas individuais, que permanecem trancadas até o fim do turno. A medida, adotada com base na legislação e reforçada pela gestão escolar, alterou não apenas o comportamento em sala, mas também a forma como os estudantes se relacionam com o próprio processo de aprendizagem.

Para a coordenadora pedagógica Camilly Alano Figueiredo, o impacto foi imediato. “Foi visível a melhora nas notas, no foco em sala de aula e na participação dos estudantes. Antes, muitos estavam sempre de cabeça baixa, dispersos, encontrando alguma forma de acessar o celular. Hoje, vemos mais atenção, mais interação e mais presença real no ambiente escolar”, afirma.

Os reflexos aparecem também nos indicadores de desempenho. A escola registrou queda no número de alunos em recuperação, além de avanços na leitura, na escrita e na participação nas atividades propostas. “Eles voltaram a folhear livros, a escrever mais, a ouvir com atenção. Parece simples, mas esse resgate do processo de aprendizagem fez diferença”, destaca.

Outro efeito percebido foi na convivência entre os próprios estudantes. Sem o celular como intermediário constante, o contato direto ganhou espaço. “Tínhamos alunos que conviviam na mesma turma e praticamente não se conheciam. Hoje conversam mais, criam vínculos e interagem de verdade”, relata a coordenadora. 

Estudante do segundo ano, Valentina conta que a ausência do celular foi difícil no início, principalmente pela falta de acesso imediato às redes sociais e ao contato com familiares. Com o tempo, no entanto, percebeu mudanças no comportamento dentro da sala. “A gente presta mais atenção na aula, porque não fica naquela ansiedade de olhar o horário ou checar mensagem toda hora. O foco melhorou bastante”, afirma.

Ela também observa uma mudança na dinâmica entre os colegas. “Agora a gente conversa muito mais. Antes, quando o professor estava escrevendo no quadro, cada um ficava no celular. Hoje, a turma interage mais”, relata. Para ela, o impacto é ainda mais evidente nos intervalos. “Quem antes ficava sozinho mexendo no celular agora acaba conversando com alguém. Meio que se obriga a socializar.”

A experiência reforça um ponto comum entre especialistas: o debate sobre telas não passa necessariamente pela exclusão da tecnologia, mas pela forma como ela é utilizada. Em um cenário em que estímulos rápidos disputam constantemente a atenção dos jovens, limitar o acesso aos dispositivos em momentos de aprendizagem pode significar recuperar algo que vem se tornando cada vez mais raro dentro das salas de aula: a concentração.

Exposição prolongada às telas tem relação comprovada com problemas de visão em crianças e adolescentes

Os efeitos do uso excessivo de telas não se limitam ao comportamento e à aprendizagem. Eles também atingem a saúde física, especialmente a visão. Em muitos casos, os primeiros sinais surgem de forma discreta e acabam sendo percebidos apenas quando começam a interferir na rotina. Foi o que aconteceu com João, de 10 anos. As dificuldades apareceram na escola, quando ele passou a ter problemas para enxergar o conteúdo escrito no quadro.

“Eu não percebia nada diferente em casa. A situação apareceu quando ele começou a reclamar que precisava chegar mais perto do quadro para enxergar”, conta a mãe, Fernanda.

Após avaliação oftalmológica, João recebeu o diagnóstico de astigmatismo e passou a usar óculos. Além da visão embaçada, ele também sentia dores de cabeça frequentes. “Eu tinha dificuldade para ver o que estava escrito no quadro. As letras ficavam meio embaçadas”, relata o menino.

Segundo a oftalmologista Beatriz Zaccaron, esse tipo de situação é mais comum do que parece e não está necessariamente ligado a um número fixo de horas de uso. “Cada pessoa tem um limite diferente. Enquanto não há desconforto ou impacto na rotina, o uso pode ser considerado saudável. O problema começa quando o corpo passa a dar sinais de que algo não vai bem”, explica.

Entre os sintomas mais frequentes estão ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento e visão embaçada. Em alguns casos, o desconforto é acompanhado por dores de cabeça, dificuldade de concentração e sensação de olhos cansados após longos períodos diante das telas.

A pessoa começa o dia bem, mas, depois de algumas horas de tela, sente os olhos pesados, perde o foco e tem dificuldade de concentração”, afirma a especialista. O quadro, conhecido como fadiga ocular digital, tem se tornado cada vez mais frequente nos consultórios. Além dos impactos na visão, também pode causar dores no pescoço e alterações no sono.

No caso de João, a orientação médica resultou em mudanças na rotina. O uso de telas durante a noite foi eliminado e o tempo de exposição passou a ser acompanhado por pausas regulares.

“A médica explicou que reduzir as telas ajuda a evitar que o problema avance. Ela também orientou que ele olhasse para longe de tempos em tempos para descansar a visão”, conta Fernanda.

A atenção deve ser ainda maior entre crianças e adolescentes. Com os olhos em desenvolvimento, os impactos tendem a ser mais significativos. Segundo Beatriz, o aumento do tempo de tela tem relação com o crescimento dos casos de miopia em idades cada vez mais precoces.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, até 2050, metade da população mundial poderá apresentar miopia. Estudos apontam que o uso prolongado de celulares e tablets está entre os fatores associados a esse crescimento, já que exige esforço contínuo da visão para perto.

Diante desse cenário, especialistas recomendam observar os sinais de desconforto, realizar pausas durante o uso das telas e manter consultas oftalmológicas regulares. Medidas simples que podem ajudar a preservar a saúde ocular desde a infância.

Excesso de estímulos digitais também altera o funcionamento do cérebro infantil

Por trás das mudanças de comportamento observadas em casa e na escola, existe um processo que acontece de forma menos visível, mas igualmente importante: a forma como o cérebro infantil responde aos estímulos digitais. Segundo a cóloga Rafaella Hoffmeister, o contato frequente com conteúdos rápidos e altamente estimulantes altera a maneira como a criança percebe o prazer e organiza sua atenção.

“O cérebro se acostuma com estímulos intensos e imediatos. Com o tempo, atividades do dia a dia, como brincar, conversar ou aprender, podem parecer menos interessantes. Não é que a criança não quer, é que o cérebro foi condicionado a buscar estímulos mais rápidos e fáceis”, explica.

Segundo a psicóloga, esse processo está relacionado à liberação de dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de recompensa. Em ambientes digitais, essa liberação ocorre de forma frequente e imprevisível, especialmente em jogos e vídeos curtos, o que aumenta o engajamento e dificulta a interrupção.

“Quando a criança se acostuma com estímulos muito rápidos, o cérebro passa a funcionar nesse ritmo. Isso impacta diretamente o comportamento, gerando impaciência e dificuldade em manter o foco em atividades mais lentas”, afirma a psicóloga.

Impacto neurológico das telas torna crianças mais vulneráveis ao vício

Por trás da irritabilidade, da dificuldade de concentração e da perda de interesse por atividades simples, existe uma alteração no funcionamento do cérebro infantil exposto excessivamente às telas. Para o neurologista Gustavo Cardoso, o problema é complexo e envolve diferentes áreas do desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

Entre os principais efeitos observados pelo especialista estão a redução da capacidade de atenção, dificuldades de aprendizado e prejuízos na memória. Parte desse processo está ligada justamente ao formato das redes sociais e das plataformas digitais, construídas com excesso de estímulos simultâneos, vídeos curtos e troca rápida de informações.

São muitas informações ao mesmo tempo, vídeos, fotos, stories. Então, esse exagero de informações faz com que o cérebro entre em sobrecarga”, comenta Cardoso.

O neurologista destaca que o cérebro humano possui grande capacidade de armazenamento de informações a longo prazo, mas a memória utilizada nas tarefas do cotidiano possui limitações. É justamente nessa área que o excesso de estímulos digitais provoca impacto direto.

Na prática, isso interfere diretamente no processo de aprendizagem das crianças. O cérebro acaba priorizando estímulos considerados mais interessantes ou emocionalmente marcantes, enquanto conteúdos que exigem mais esforço passam a ter menor retenção.

“A gente escolhe muitas informações que vai gravar por sentimento ou curiosidade. Uma fofoca da internet, por exemplo, a gente não esquece. Mas aquele assunto chato da aula de matemática a gente acaba esquecendo”, relata. “Conforme a gente vai usando telas e trocando de informação muito rápido, a gente desaprende a prestar atenção em uma coisa por muito tempo”, acrescenta.

Cardoso também chama atenção para o mecanismo de recompensa provocado pelas telas. Redes sociais, jogos e vídeos digitais são estruturados para manter o usuário constantemente estimulado. “O formato das redes sociais e dos sites hoje é feito para ter muitas informações ao mesmo tempo, vídeos curtos, curiosidades e coisas que geram prazer. Isso gera uma enxurrada de dopamina e o paciente acaba entrando em um vício”, detalha.

Os impactos também atingem o sono. A exposição às telas durante a noite interfere diretamente na produção de hormônios responsáveis pela indução do sono e pela qualidade do descanso.

“A luz e os estímulos das telas atrapalham aquele relaxamento necessário antes de dormir. O cérebro precisa desacelerar, e a tela faz justamente o contrário”, observa.

Apesar dos riscos, o neurologista ressalta que mudanças simples na rotina podem ajudar a reduzir os impactos. Entre as recomendações estão limitar o uso de telas antes de dormir, evitar o celular logo ao acordar e estimular atividades fora do ambiente digital.

“Comer sem celular, conversar sem distração, ler um livro físico, brincar sem tecnologia. A gente desaprendeu isso”, conclui.

Entre limites e recomeços, o desafio de reconstruir a infância fora das telas

Reduzir o tempo de tela não é uma mudança rápida, nem simples. Em muitos casos, o processo vem acompanhado de resistência, irritação e até crises emocionais, especialmente nos primeiros dias. Para especialistas, essa reação faz parte de um período de adaptação, em que o cérebro precisa se reorganizar diante da ausência de estímulos constantes e imediatos.

Na prática, isso significa reaprender a lidar com o tempo, com o tédio e com atividades que exigem mais paciência. Aos poucos, experiências que haviam sido deixadas de lado voltam a ocupar espaço na rotina. Brincar sem roteiro, explorar o ambiente, interagir com outras pessoas e até participar de tarefas simples do dia a dia passam a ser redescobertas.

Esse movimento, no entanto, exige presença ativa da família. Estabelecer limites claros, sustentar as decisões e oferecer alternativas fora das telas são passos fundamentais para construir um novo equilíbrio. Mais do que restringir, trata-se de reorganizar a rotina e resgatar experiências essenciais para o desenvolvimento

Histórias como a de Paloma mostram que, apesar dos desafios, a mudança é possível. Entre conflitos e ajustes, a infância volta a encontrar espaço fora das telas, em um ritmo menos acelerado e mais conectado com o mundo real.

Matéria produzida na disciplina de Tópicos Especiais II, pelos acadêmicos da 7ª fase de jornalismo, Maria Eduarda Santana, Marcus Darolt, Davi Brabos e Vítor Ávila, sob orientação do professor Eduardo Prestes.