Enquanto grande parte das pessoas ainda dorme, profissionais da limpeza urbana já estão nas ruas garantindo que a cidade amanheça limpa. Seja na varrição de vias públicas ou na coleta de resíduos, esses trabalhadores enfrentam longas jornadas, esforço físico e situações de risco para manter o município organizado.
Para o gari, Nilson Hort, de 60 anos, a rotina começa cedo. Há quase dois anos trabalhando na limpeza das ruas, acorda diariamente às 3h30 para chegar ao trabalho às 5h. De bicicleta, percorre o trajeto até o local onde atua na varrição e conservação dos espaços públicos.
O esforço físico e as longas jornadas não são as únicas dificuldades da profissão. Situações de desrespeito e desvalorização também fazem parte da rotina de Hort. “Existem pessoas que acham que podem diminuir os outros porque têm mais dinheiro ou um carro melhor”, afirma.
A rotina da coleta de lixo
Os coletores de lixo também fazem parte do trabalho que mantém a cidade limpa. De acordo com Rogério Martins, supervisor da Racli, empresa responsável pela coleta de resíduos em Criciúma, a operação exige organização diária, acompanhamento das rotas e equipes prontas para atender situações inesperadas.
De acordo com o supervisor, os caminhões saem para as rotas já definidas e, quando necessário, equipes são redistribuídas para garantir que nenhum bairro fique sem atendimento. O serviço funciona praticamente sem interrupções, com turnos que se alternam ao longo do dia e da madrugada.
Entre as principais dificuldades enfrentadas pelos coletores está o descarte inadequado de objetos cortantes e perfurantes. “Existem pessoas que fazem o descarte ilegal de vidros e seringas soltas, e tem coletores que se machucam com esses objetos. Então, pedimos sempre que, quando for vidro, seja colocado em uma caixinha e identificado com um aviso sobre o material que tem dentro”, ressalta Martins.
Nova oportunidade
Atualmente atuando como coletor, Mohammed Adam, de 40 anos, natural de Gana, mora no Brasil há cerca de seis meses e encontrou no serviço de coleta de lixo seu primeiro emprego no país.
Mohammed acorda às 4h da manhã para iniciar a rotina de trabalho. O serviço exige esforço físico constante, mas representa uma oportunidade para reconstruir a vida e ajudar a família que permanece em seu país de origem.
Apesar das dificuldades e da distância da família, Mohamed afirma estar satisfeito com a experiência no Brasil e com o trabalho que desempenha diariamente. “ O Brasil é muito bom. Eu gosto daqui e quero aprender mais português”, comenta o trabalhador.
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