Como identificar, numa área que reúne 65 mil aglomerados vegetacionais, quais os pontos que precisam ser visitados “in loco” pelos pesquisadores? A visita a esses locais é necessária para identificar o tipo de vegetação e se ela interfere na rede de distribuição de energia. Para chegar aos pontos específicos, os pesquisadores do Centro Tecnológico Satc (CTSatc) desenvolveram uma metodologia inédita para definir os locais prioritários na realização do inventário florestal. 

O foco é o município de Porto Alegre (RS) onde há o conflito da arborização urbana com a rede de energia elétrica. Dessa forma, os estudos dos pesquisadores foram entregues à Revista Energies, da Suíça, que publicou o artigo científico no mês de janeiro. 

A publicação foi motivo de comemoração pelos pesquisadores do CTSatc William de Oliveira Sant’Ana, Jefferson de Faria, Mauro dos Santos Zavarize, Daniel Pazini Pezente, Vanessa de Castro Barbosa, e Anderson Diogo Spacek. Também são autores no artigo o pesquisador Marcelo Pinto Vianna, engenheiro da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE-D), do Rio Grande do Sul, e o professor Oswaldo Hideo Ando Junior, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). 

O artigo “Metodologia para Definição de Locais Prioritários na Realização de Inventário Florestal em Pontos com Conflito entre Arborização Urbana e Rede Elétrica” traz os critérios que os profissionais utilizaram para reduzir a área e definir os pontos que seriam investigados. “O objetivo desta proposição consistiu justamente em apresentar as estratégias adotadas para realização acurada deste inventário da vegetação que conflita com a rede elétrica no município de Porto Alegre”, ressalta o pesquisador William Sant’Ana. 

Definição de áreas prioritárias no inventário florestal

Então, para reduzir de 57 mil pontos e chegar aos 100 locais prioritários, que exigiam a visita in loco, há a definição de critérios. Dessa forma, além de utilizar imagens de satélite para observar onde havia vegetação sob a rede elétrica, foi feito o cruzamento de dados. O histórico de ocorrências de desligamento, áreas mais habitadas e locais com clientes especiais, como hospitais ou aeroporto, foram então levados em consideração. 

“Por meio da metodologia proposta neste estudo, orientou-se os esforços amostrais de trabalhos de campo para locais definidos como críticos. Ou seja, que por prévia análise em escritório, sejam classificados como de alta prioridade para serem visitados”, reforça Sant’Ana. 

Metodologia realizou inventário florestal
Pesquisadores identificaram problemas que afetam a rede elétrica

Publicação é motivo de orgulho 

Assim, a dedicação dos pesquisadores rendeu uma publicação em importante revista da área de energia. A Energies reúne os estudiosos da área e traz artigos científicos de todo o mundo. Está situada na Basiléia, Suíça. 

O periódico tem classificação A1 na área de Engenharia Elétrica, e A2 em Ciências Ambientais. Esses critérios reúnem, portanto, dados quanto à reputação científica da revista e os níveis A1 e A2 são os melhores. 

Estudos seguem em andamento 

A metodologia desenvolvida pela equipe do CTSatc faz parte de um estudo maior. Mas, há dois anos, o Centro Tecnológico desenvolve o estudo “Ferramenta Computacional de Gestão Online e Automatizada de Manejo de Vegetação para mitigação de conflitos com a rede elétrica”.

O projeto, contratado pela CEEE-D Equatorial, quer criar uma ferramenta que integre dados de imagens aéreas e permita o manejo florestal de maneira assertiva. Dessa forma, haverá o direcionamento da poda de árvores que possam vir a provocar cortes no fornecimento de energia elétrica. 

“Esta integração de múltiplos dados permitirá a identificação de pontos de conflito de vegetação x rede de energia. Assim, é possível a gestão automatizada e online do manejo florestal. Há uma otimização dos serviços de poda das árvores, observando-se questões de ordem ambiental, econômica e de segurança. Automatizar o monitoramento de redes de energia é crucial para as concessionárias de energia”, afirma o pesquisador.