A paixão do torcedor pelo Criciúma Esporte Clube não se mede apenas pelas vitórias nos gramados do estádio Heriberto Hülse, mas sim pelo legado passado de geração em geração. O amor pelo clube ultrapassa a preferência esportiva e se torna uma herança familiar, onde pais ensinam seus filhos para manter viva a tradição que une pertencimento e orgulho regional.
A frase “De pai pra filho e sempre será” resume parte da história do Criciúma Esporte Clube, assim como a história do empresário Lucas Borges e a filha Ísis. Lucas se mudou para Criciúma em 2001 e se apaixonou pelo clube após assistir uma partida com os amigos e foi amor à primeira vista.
Sem nenhuma imposição, a paixão da casa foi herdada naturalmente. A filha Ísis de 9 anos, cresceu vendo Lucas se arrumando para ir aos jogos. O pedido para ir junto surgiu de forma espontânea e deu início a uma jornada de companheirismo. “Desde pequena Ísis me via sair de casa para ir aos jogos, até que um dia, com 4 anos, ela pediu pra ir comigo”, relata Borges.
Hoje a pequena ísis se tornou uma torcedora convicta: briga com a arbitragem, lamenta as derrotas e vibra a cada gol. “Em determinados momentos eu não sei se torço pro Criciúma ganhar ou pela felicidade da minha filha. É um sentimento muito legal e saudável, ainda mais que o estádio é tão acolhedor para as famílias”, conta o empresário.
Ao longo de quase uma década de idas ao estádio juntos, o momento mais marcante tem data e clima bem marcados na memória: o jogo do acesso à série A em 2023. Com o estádio completamente lotado, a dupla precisou assistir ao jogo sentada na escadaria da arquibancada. Ao apito final e com a confirmação do clube à elite do futebol brasileiro, a festa tomou conta do Majestoso.
Borges conta que sua melhor lembrança foi quando pegou Ísis nas costas, ela sentou em seu ombro e pulavam sem parar comemorando o acesso. “Viver aquilo com a minha filha no colo se tornou ainda mais especial”, relata.
Algumas das vezes, frequentar o estádio vai além de um entretenimento. As oscilações do futebol viram formas de ensino dentro de casa. As derrotas ou mal desempenho são usadas como lições sobre comprometimento, dedicação e foco para o dia a dia. “Nós ensinamos a Ísis que quando não estamos comprometidos e focados com algo, nem sempre os resultados são bons”, relata Borges.
Mais do que aprender sobre o que é necessário para vencer, o futebol ensinou à pequena torcedora o valor da lealdade. “Ela aprendeu que não é porque o time perde que a gente vai deixar de torcer, porque a gente não pode estar com as pessoas só nos momentos bons”, afirma o torcedor.
Nas arquibancadas do estádio Heriberto Hülse, a faixa escrita “De pai para filho” resume bem essa trajetória. A certeza de que Ísis manterá a chama da paixão acesa pelo time traz o sentimento de dever cumprido para Lucas. “ Em algum momento eu não vou mais ter pique para ir ao estádio, mas minha filha certamente vai seguir esse legado e é muito gratificante ver que ela se apaixonou de verdade pelo meu time”, conta Borges.
Matéria produzida por Mariana Duarte



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