Seguindo a onda das redes sociais, diversas pessoas passaram a adotar comportamentos que, muitas vezes, afetam o bem-estar físico e mental, a preço de sustentar o ‘corpo ideal’ projetado pela mídia. A positividade corporal, movimento que compreende a aceitação e valorização de todos os corpos, tem perdido os holofotes para as canetas emagrecedoras e dietas extremistas.
O ‘corpo perfeito’ é uma construção histórica que visa enaltecer padrões culturais que mudam ao longo do tempo e de acordo com cada sociedade. Conforme a nutricionista, Schérolin Marques, um corpo saudável surge quando a individualidade e a genética das pessoas são respeitadas.
“É essencial manter uma relação adequada entre massa muscular e gordura corporal, além de manter os exames bioquímicos dentro de faixas saudáveis”, pontua Schérolin.
A utilização de canetas emagrecedoras para fins estéticos tem provocado debates. Segundo Schérolin, estes medicamentos não deram origem à ‘moda’ da magreza extrema, mas facilitaram seu alcance. “As canetas possibilitaram mudanças fisiológicas de maneira mais fácil e rápida”, destaca.
Tomar medicamentos que saciam o apetite gera dificuldades em ingerir as quantidades necessárias de nutrientes para se manter saudável. Sustentar esse estilo de vida requer a exposição de alguns riscos, como queda de cabelo, cansaço e piora da imunidade.
“A baixa ingestão calórica impede o consumo adequado de vitaminas e minerais, como cálcio, ferro, vitamina B12 e proteínas”, cita Schérolin.
A estudante, Luisa Maurelli, já tentou seguir dietas restritivas para emagrecer, mas revela que nunca se sentiu influenciada pela mídia para acrescentar canetas emagrecedoras ou medicamentos para perda de peso na rotina.
“Antes de qualquer remédio, acredito que seja essencial cuidar do nosso psicológico e do nosso corpo de forma consciente. Quando essa base está bem construída, os resultados tendem a ser mais saudáveis e sustentáveis”, enfatiza a estudante
Positividade corporal e saúde mental caminham juntas
A valorização de todos os corpos e a quebra de padrões estéticos muito rígidos são pilares importantes para a evolução do movimento da positividade corporal. Buscar atingir um biotipo específico de corpo vendido na internet é perigoso, segundo a psicóloga, Giovana Silvestri. Além de prejudicar a educação alimentar, a especialista ressalta que cada indivíduo possui uma realidade diferente, logo basear-se em contextos de vida alheios pode não ser o melhor caminho.
“Essa exposição constante aumenta a comparação social e afeta a autoestima, principalmente quando a pessoa começa a se sentir inadequada”, afirma a especialista em saúde mental.
Para Luísa, aceitar o próprio corpo não significa ignorar cuidados importantes com o bem-estar físico e mental. A estudante defende que o ideal é encontrar um equilíbrio.
“Não acredito que o processo de emagrecimento deva ser medido apenas pelo número que aparece na balança. Na minha visão, é muito mais importante melhorar a nossa relação com a comida e entender os hábitos que construímos ao longo do tempo”, finaliza.
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