O curso técnico em Design Gráfico da Satc desenvolveu um projeto que ultrapassou os limites da sala de aula e ganhou significado social. Intitulada “LudiDesign, Habitando a imaginação”, a iniciativa integrou diferentes disciplinas e resultou na produção de casinhas temáticas doadas a instituições que atendem crianças em Criciúma.
Idealizado pela professora Deise Pessi, na disciplina de Técnicas de Ilustração, o projeto contou com a parceria da professora Adriana Vichietti, da disciplina de Design de Superfície, envolvendo estudantes das turmas de 2ª fase. A proposta também teve o apoio do professor Gerson Maximiliano, do Pronto 3D, responsável pelo desenvolvimento das estruturas em MDF que serviram como base para as criações.
A ideia surgiu de uma experiência pessoal da professora Deise, que levou para o ambiente acadêmico uma vivência simples, mas cheia de significado.
“A proposta do projeto surgiu inicialmente de uma brincadeira com a minha filha. Quando ela ganhou uma casinha de MDF, começamos a brincar e eu percebi nesse processo possibilidades que poderiam ser levadas para a sala de aula. A partir disso, convidei a professora Adriana e buscamos, dentro das disciplinas, como poderíamos desenvolver esse projeto com os alunos”, explica.
A partir das casinhas, os estudantes foram desafiados a explorar a ludicidade e a criatividade. Cada equipe recebeu uma temática e desenvolveu toda a estética visual do objeto, além da criação de personagens ilustrados, pensados para estimular a imaginação e o brincar.
Mais do que um exercício técnico, o LudiDesign proporcionou uma experiência sensível e prática de aprendizado. Os alunos puderam experimentar materiais, construir narrativas visuais e compreender como o design pode se materializar em objetos interativos e afetivos.
Do aprendizado à transformação social
Desde o início, o projeto foi pensado com um propósito maior: levar as produções para crianças atendidas por instituições sociais. Com o apoio da voluntária Paula das Neves Pereira, foram definidos os locais que receberam as doações: o Abrigo de Acolhimento Florescer II e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) Cristo Redentor e Renascer.
As entregas ocorreram no dia 16 de março de 2026, com a participação da professora Deise, das alunas Laura Ghedin, Samanta Vitorino e Melissa Zanette, além do professor Rodrigo Casteller e da voluntária.
Cada instituição recebeu duas casinhas temáticas, acompanhadas de envelopes com ilustrações e personagens criados pelos alunos, permitindo que as crianças também participem da experiência por meio de atividades como colorir, recortar e brincar.
Nos CRAS, as casinhas passam a integrar as ações dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que têm como objetivo prevenir situações de risco social, especialmente entre crianças e adolescentes, fortalecendo os vínculos familiares. As atividades são realizadas no contraturno escolar e incluem práticas esportivas, culturais, artísticas e momentos dedicados ao brincar.
A voluntária Paula das Neves Pereira destacou o impacto da iniciativa para os espaços atendidos. “Fiquei muito contente e até emocionada com a doação das casinhas feitas pelos alunos da professora Deise. Além de enriquecer as atividades para as crianças que participam do SCFV, elas também poderão ser usadas como material de apoio para trabalhar questões psicológicas, quando necessário”, ressalta.
Para a professora Deise, o impacto do projeto foi além do esperado, especialmente ao perceber novas possibilidades de uso das criações. “A gente pensou nas casinhas como uma ferramenta de brincar, mas alguns espaços enxergaram também um uso terapêutico. Elas podem ser utilizadas como instrumento de mediação em atendimentos psicológicos, o que ampliou ainda mais o alcance do projeto”, destaca.
Segundo ela, a iniciativa reforça a importância de conectar o ensino com a realidade social. “Foi muito gratificante ver que o projeto saiu da sala de aula e chegou a espaços onde as crianças são acolhidas. Mais do que uma atividade, foi a oportunidade de proporcionar uma experiência diferente, onde a imaginação ganha espaço e significado”, completa.





































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