Cada vez mais presentes na rotina infantil, os desenhos animados ganham espaço no cotidiano das crianças e passam a integrar também a dinâmica familiar. As mudanças na produção desses conteúdos têm provocado debates sobre possíveis impactos no comportamento e no desenvolvimento psicossocial dos pequenos.
Os desenhos infantis passaram a ser construídos e planejados de maneira divergente daqueles criados na década anterior. Conforme a psicóloga, Tamara Borges, quando expostos a altos estímulos visuais e sonoros, características dos desenhos contemporâneos, as crianças ficam mais ansiosas e agitadas.
“Os programas de televisão infantis transmitem uma grande descarga de informações, com excesso de luzes, sons, cores e vários personagens. As crianças não possuem maturação cerebral ainda, e ficam expostas a muitas horas na frente de telas”, explica a especialista.
Com o objetivo de prender a atenção dos pequenos, os desenhos animados atuais são desenvolvidos a fim de elevar o nível de dopamina, um neurotransmissor responsável por regular o hormônio do prazer do cérebro. “Acaba aumentando o consumo de horas assistidas e vira um vício”, esclarece Tamara.
O papel familiar no controle de telas das crianças
Comprometendo a concentração e o foco, o excesso de telas também dificulta o sono e a vida social da pessoa que as consome com exagero. “Sugiro que os pais conheçam os conteúdos que os filhos assistem, desenhos mais agitados e violentos resultam em comportamentos mais agressivos e inquietos. Os pequenos, muitas vezes, têm dificuldade para diferenciar fantasia e realidade, consequentemente, reproduzindo o que assistem”, pontua a psicóloga.
A pedagoga e mãe, Sabrina Carlos, vivenciou uma situação parecida com seu filho de 10 anos, Antônio. Ao levar o menino para uma consulta na psicóloga, ele comentou com a profissional que sentiu muito medo de um filme que assistiu com a prima.
“No longa-metragem, um tsunami atinge uma cidade e separa a família protagonista. Meu filho pensou que isso realmente ia acontecer e eu ia ficar longe dele. A partir disso, ele começou a me seguir pela casa, porque, na cabeça do Antônio, se ficássemos sempre juntos, ele estaria seguro”, relata Sabrina.
Para quem deseja introduzir as telas às crianças, a especialista destaca que há informações válidas nos desenhos e que trazem aprendizados significativos para os pequenos. O importante é saber filtrar o que é relevante para os filhos em cada etapa do seu desenvolvimento. “Sempre recomendo aos pais que assistam antes a algum episódio do seriado proposto e decidam se é compatível aos valores e regras familiares”, conclui Tamara.
Confira algumas opções de desenhos animados indicados pela profissional em saúde mental e onde assisti-los:
- Bob, o Trem: Prime Video;
- Dora, a Aventureira: Paramount, Prime Video;
- Hey Duggee: HBO MAX, Prime Video;
- Meu Amigãozão: Globoplay, Prime Video;
- Rubble e sua turma: Paramount, Prime Video;
- Bluey: Disney+.
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