Nos últimos meses do último ano, o sul catarinense acompanha um fenômeno diferente: vários animais estão retornando as áreas verdes da região ou até mesmo aparecendo pela primeira vez em gravações e avistamentos. Os motivos são diversos: desde resultados do trabalho de educação ambiental até o tráfico ilegal. 

“Essas aparições estão mostrando para nós que animais que demandam uma qualidade ambiental maior conseguem viver aqui, como no caso da Araponga e do Uru, quer dizer que nossa mata sim está saudável e conseguindo se reestruturar novamente”, explica Vitor Bastos, biólogo do projeto Fauna Ativa. 

O trabalho de educação ambiental, feito por meio da polícia ambiental, escolas e projetos pode auxiliar na conscientização da população da região em diversos aspectos, principalmente relacionados a preservação da fauna e flora local. “A floresta está voltando, aos poucos entrando em um equilíbrio ecológico. Hoje tem mais área de vida para os animais, local para viverem e achar alimento”, afirma Bastos. 

Mas nem toda a população está do lado da preservação: essas aparições podem ser resultado de crimes ambientais. “A presença fora do habitat pode estar relacionada a atividades ilegais, como o desmatamento e as queimadas, que destroem o ambiente natural, a caça, o tráfico de animais ou a criação irregular, que acabam desorientando e espalham espécies em regiões inadequadas e o uso de agrotóxicos ou poluição, que afetam também o equilíbrio ecológico e forçam os deslocamentos”, conta a Sargento Ramoni da Polícia Militar Ambiental. 

De acordo com a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), em torno de 38 milhões de animais silvestres são retirados ilegalmente da natureza brasileira todos os anos. Além disso, em 2024, os dados do Ibama mostram que 22.287 animais silvestres foram apreendidos e encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), local responsável para receber os bichos e recuperá-los. 

Além disso, a Sargento orienta a respeito da visualização de um animal silvestre. “Em um ambiente que não é o ambiente natural dele, é nunca tentar capturar, alimentar ou se aproximar do animal. A recomendação é manter distância, observar com calma e entrar em contato com a própria Polícia Militar Ambiental através do telefone 190”, finaliza Ramoni.